segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

se ele nao existisse
teria de inventa-lo
e por ele ser
tento muitissimo o esconder
como quem esconde seu ursinho preferido

ele nao se importa,
sorri inocentemente,
o sorriso dos sabios experientes,
e deixa me o esconder em recantos perdidos

como um pai
ele me guia
mostra o caminho
nunca impondo o destino

as vezes, me desfaço dele
escondo seus livros por debaixo da cama
amarro seus versos em poemas privados
dissimulo sua heranca num estar novo

mas ele sempre volta a mim
ou eu a ele
como uma ovelha
volta ao seu pastor

até quando abdico de sua mao
ele nunca nega a minha filiacao
me abraca silencioso e eterno
continua la
impavido monolito

por vezes ele me acompanha através algumas milhas ensolaradas
percorrendo uns campos vastos e verdes
tranquilo e certo
sentindo a eternidade nos acariciar o cabelo

conversamos muito eu e ele
ele falando sempre mais
(ele tem muito a dizer)

até que me da vontade de ver o mundo
sair da minha concha e conhecer o profundo
das coisas
ver lado de dentro
e o lado de fora tambem
viajo tranquilo, o deixando de lado

na minha viagem
encontro outros
percorro terras estranhas
cheias de aventuras incredulas e reais
junto a esses novos amigos
passo o tempo diferente
(chego a pensar que consigo até a mudar um pouco)

e eles cuidam de mim
me mostram outra lingua
apontam do dedo sua vertente nascente
especulo com eles
cresço tres palmos por psalmos
e gargalho de felicidade
muitas vezes até o anoitecer
regado a boemia e falta de responsabilidade

trocamos palavras doces
ideias loucas
abracos fortes
beijos ternos
(uma vez até um samba enredo)
e muito de vez em quando, até amor

mas quando se faz bem tarde
e a noite prenuncia o dia
cansado e quase perdido de mim,
sinto saudades
volto sonolento aos pés do horizonte
o sol nascente guiando meus passos errantes
até o encontrar - o impavido monolito

e deito tranquilo com certezas absurdas
procurando aquele velho ursinho polar.

e mesmo ja fazendo dia
e mesmo tendo coisas pra fazer
e milhoes de obrigacoes a atender
adormeco com ele ao meu lado,
o guardador de rebanhos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

eu só nao sou maior que meu pai
o resto do mundo me aguarda.

(pesam pouco os 20 anos de vida)
a principio me retiraram a luz
depois cortaram a agua
levaram os moveis
tomaram posse de minhas roupas
cortaram meu cabelo
quebraram minhas costas
absorveram minhas palavras
tiraram minha vida

teriam levado mais
se tivessem achado mais

guardei para mim uma pequenina brasa de espirito
no fundo escuro
num salao escondido
entre o atrio e o ventriculo


isso eles nao conseguiram:

Eu sou meu.
a verdadeira poesia é escrita na carne
gravada no peito
feito tatuagem
pode ser linda
feito cicatriz
pode ser dolorosa
nao precisa de palavras na realidade
precisa só de um motivo
pra que seja
e é.

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se fazem desnecessario os adjetivos
os enfeites de natal
as bolinhas vermelhas
as guirlandas coloridas
quando algo é pra ser
existe
um poema forte
nao se decora
existe puro
como existe montanhas e o mar
permanece
subsiste
um dia é finalmente descoberto
e é

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o grito na grade cartesiana
a descoberta da quarta dimensao
a flutuacao entre os eixos
- o pensamento é pura poesia
quando pensado bem.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Cruz e Souza

Cruz e Souza I

É linda e alva como a neve pura, .... debruça-se languidamente a mulher ruiva e branca da cena anterior. Ela põe-se a ...e o sono me assola

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Cruz e Souza II

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...
e o sono te assola, caro leitor
o dia 5 de dezembro de 2009 fora um dia produtivo
escrevi 17 poemas e meio
e todos foram melhor que os de Cruz e Souza
ou Joao Cabral de Melo Neto
Joao Cabral de Melo Neto me entendia
Só o seu nome me cansa
Poesia nao é lugar para engenheiros reciclados
nem nomes tao longos

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Vinicius nao era poeta
Era um amante

Bandeira nao era poeta
Era um tuberculoso

Drummond nao era poeta
Era um caipira

Mario nao era poeta
Era um viado

Eu que sou poeta!

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Verdadeiros poetas tem nomes curtos
Veja bem -

PESSOA
BAUDELAIRE
BANDEIRA
HAVLIK
RIMBAUD
FROST
BUKOWSKY

infelizmente Joao Cabral de Melo Neto nao esta entre esses.
Cagar e escrever poesia tem o mesmo valor.
Pensando bem, acho que faco mais esforco para cagar.
Poesia é uma merda mesmo...

(e todos riram do trocadilho inteligentissimo do poeta maravilhoso)